Potencial das Algas Marinhas como Bioinsumo Sustentável é Destaque em Proposta para a COP30

Iniciativa da Sociedade Brasileira de Ficologia (SBFic), apresentada por professor da UFRN, fica entre as cinco mais votadas para o Relatório da Sociedade Civil da conferência.

Compartilhe esse post: 

O potencial das algas marinhas como uma solução sustentável e estratégica para o agronegócio ganhou reconhecimento crucial no cenário internacional. A proposta “Bioinsumos Sustentáveis de Algas Marinhas”, apresentada pela Sociedade Brasileira de Ficologia (SBFic), foi classificada entre as cinco mais votadas do Eixo 1 (Transição nos Setores de Energia, Indústria e Transporte) para integrar o Relatório Final da Sociedade Civil para a COP30, realizada em Belém (PA). A iniciativa, liderada pelo professor Dárlio Teixeira, da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), valida a importância estratégica das macroalgas para uma economia de baixo carbono.

A seleção da proposta, cujo resultado foi divulgado após o encerramento das votações em 31 de outubro, coloca a ficologia — o estudo científico das algas — em evidência global. As propostas mais votadas do eixo serão agora analisadas pelo Comitê de Seleção. Este reconhecimento ocorre em um momento vital, com a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) sendo sediada pela primeira vez no Brasil, de 10 a 21 de novembro, reunindo líderes globais para definir estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas.


O Potencial dos Bioinsumos Marinhos

A proposta da SBFic destaca o vasto potencial das macroalgas como uma fonte renovável e multifacetada. O documento reforça a viabilidade da produção de biocombustíveis e, crucialmente para o setor agrícola, de insumos sustentáveis, ampliando o uso de bioestimulantes.

Além da agricultura, o projeto aponta aplicações estratégicas nos setores de alimentação, cosméticos, energia e meio ambiente. O foco da proposta é demonstrar a contribuição direta das macroalgas para uma economia de baixo carbono e para o uso mais responsável dos recursos naturais.

Segundo o professor Dárlio Teixeira, autor da proposta, a classificação representa um marco significativo para o setor no Brasil. “É uma oportunidade de divulgar a ciência da ficologia […] e mostrar que existe produção de macroalgas no Brasil”, destacou. O professor também ressaltou uma disparidade de mercado que precisa ser corrigida: “Embora amplamente valorizados em países asiáticos, esses estudos ainda recebem pouca atenção no Ocidente”.


A Vantagem Estratégica das Macroalgas

O projeto ressalta por que as macroalgas são uma ferramenta poderosa contra a crise climática, detalhando características estratégicas que interessam diretamente à indústria de insumos agrícolas e aos produtores focados em sustentabilidade.

As macroalgas apresentam:

  1. Crescimento Acelerado: Permitem ciclos de produção rápidos e eficientes.
  2. Elevada Eficiência Fotossintética: Superam muitas plantas terrestres na conversão de luz solar em biomassa.
  3. Alta Capacidade de Absorção de CO₂: Atuam como importantes “sumidouros” de carbono, contribuindo diretamente para a mitigação dos gases de efeito estufa.


Essas características posicionam as algas marinhas como alternativas promissoras e viáveis para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no país, alinhando produtividade agrícola com soluções ambientais.


Um Sinalizador de Mercado para o Agro

A inclusão dos bioinsumos de algas marinhas nas discussões de alto nível da COP30 não é apenas uma vitória acadêmica, mas um forte sinalizador de mercado. Para o agronegócio e a indústria de fertilizantes, que buscam inovação em P&D, o reconhecimento valida o que empresas pioneiras já praticam: o mar é a fronteira para a próxima geração de insumos agrícolas sustentáveis, essenciais para enfrentar os desafios climáticos e produtivos do século XXI.

Veja também: