Uma manhã dedicada ao “Fator Biológico” da cana
O encontro Fator Biológico: Nutrindo, Defendendo, Estimulando, promovido pela Consultoria Canaplan, foi desenhado para transformar o debate sobre bioinsumos em canavicultura de uma conversa pontual em uma pauta estratégica de manejo. Realizado no Espaço Bella Città, às margens da Anhanguera (Km 304), em Ribeirão Preto, o evento concentrou, das 8h às 13h, apresentações técnicas, painéis de debate e espaço para perguntas, reunindo empresas desenvolvedoras de tecnologias biológicas, produtores e lideranças do setor sucroenergético.
A proposta da Canaplan foi clara: esclarecer dúvidas sobre mecanismos de ação dos biológicos, apresentar resultados de campo e mostrar como essas soluções se encaixam num modelo de produção mais eficiente e resiliente. A programação foi estruturada em três eixos que refletem a lógica de uso dos bioinsumos no canavial: nutrição, defesa contra pragas e doenças e estímulo fisiológico ao desenvolvimento das plantas.
Abertura que traçou o mapa dos bioinsumos no agro
A reunião foi aberta por Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio), diretor da Canaplan, que contextualizou a expansão dos bioinsumos na cana e a necessidade de aprofundar o conhecimento técnico em torno dessas soluções. Em seguida, Danilo Pedrazzoli, da CropLife Brasil, apresentou a palestra “Biológicos – Revolução”, abordando a evolução dessas tecnologias e seus impactos na agricultura, com ênfase em produtividade, sustentabilidade e redução de dependência de insumos convencionais.
Esse momento inicial funcionou como um “mapa” para o restante da manhã, mostrando que os bioinsumos deixaram de ser alternativas marginais para se tornar componentes centrais de estratégias de manejo integrado em grandes culturas, incluindo a cana-de-açúcar.
Nutrição: o primeiro degrau do canavial biológico
O primeiro painel técnico focou o eixo de nutrição, sob mediação de Julio Campanhão, da Agrocamp, e contou com a participação de especialistas ligados a ICL, Bioxyz, Syngenta e Unesp. As discussões giraram em torno de como micro-organismos e produtos biológicos podem melhorar a disponibilidade de nutrientes no solo, otimizar a absorção pelas raízes e elevar o potencial produtivo dos canaviais sem ampliar custos e impactos ambientais.
Foram apresentados casos em que a inoculação de bactérias e fungos benéficos, associada a práticas de manejo adequadas, permitiu ganhos de eficiência no uso de fertilizantes e maior vigor inicial das plantas, elementos fundamentais para a formação de um estande uniforme e produtivo. O painel reforçou que a nutrição biológica não substitui, mas potencializa a adubação convencional, criando um ambiente radicular mais ativo e resiliente.
Defesa vegetal: menos química, mais inteligência no campo
Após o intervalo para café, o segundo bloco foi dedicado à defesa vegetal, coordenado por Dr. René Sordi, da Enercana, e reuniu representantes de Koppert, FMC, Serquímica, Kracht e Syngenta. O foco foi mostrar como bioinsumos vêm sendo usados no controle de pragas e doenças da cana, inseridos em estratégias de manejo integrado já adotadas por produtores e associações como a CanaoesteBio.
Os painelistas apresentaram resultados práticos de campo em que combinações de agentes biológicos reduziram a pressão de infestações relevantes, diminuindo a necessidade de aplicações químicas e ampliando a segurança operacional e ambiental. A mensagem central foi que a defesa biológica não é apenas uma questão de sustentabilidade, mas de eficiência econômica: plantas mais saudáveis, com menos estresse, respondem melhor à nutrição e aos estímulos de crescimento, gerando mais toneladas por hectare.
Estímulo fisiológico: o momento em que o canavial “acelera”
O encerramento da programação técnica foi dedicado ao tema estímulo ao desenvolvimento, painel mediado por Nilceu Cardozo, da Solucrop, e que reuniu Leonardo Galvão (Companhia das Algas), Deyvid Rodrigues (ICL), Willie Cintra (Syngenta) e Matheus Palazzo (Kracht). Este bloco final aprofundou o papel dos bioestimulantes e reguladores fisiológicos na construção de um canavial mais vigoroso, com foco em tecnologias que atuam sobre metabolismo, enraizamento, crescimento vegetativo e tolerância a estresses.
As discussões mostraram que, quando integrados à nutrição e à defesa, os bioestimulantes podem acelerar o fechamento de linhas, aumentar o perfilhamento e ajudar a sustentar produtividades mesmo em cenários de pressão climática e de mercado. Nesse contexto, o painel funcionou como uma “ponte” entre a teoria dos bioinsumos e a prática do dia a dia no campo, com exemplos de como pequenas mudanças no manejo podem gerar ganhos expressivos ao longo do ciclo da cana.

Leonardo Galvão e a Companhia das Algas: do mar para o centro do debate
Foi nesse painel de encerramento que a participação de Leonardo Galvão, diretor da Companhia das Algas, ganhou destaque, ao levar ao debate a experiência da empresa na aplicação inovadora de algas na agricultura. Galvão, que já vem apresentando o tema em canais especializados como o Canal AgroRevenda, reforçou no Fator Biológico como extratos de algas, combinados a outros bioinsumos, podem atuar como verdadeiros catalisadores do desenvolvimento da cana-de-açúcar.
Em sua intervenção, o diretor destacou que a transformação de algas marinhas em insumos agrícolas representa um avanço que une inovação, natureza e resultados concretos, resumindo a ideia em uma frase que tem circulado em materiais da empresa: “É o mar nutrindo o campo.” Ele explicou como essas soluções estimulam processos fisiológicos que resultam em maior eficiência no uso de nutrientes, melhor enraizamento e plantas mais tolerantes a estresses hídricos e térmicos, aspectos críticos para a canavicultura em regiões sujeitas a veranicos e variações climáticas.
Ao representar a Companhia das Algas, Leonardo posicionou as soluções da empresa como peças-chave no novo modelo de manejo biológico da canavicultura, integrando nutrição, defesa e estímulo num pacote tecnológico coerente com as demandas de sustentabilidade e competitividade do setor. Sua participação dialogou diretamente com a estratégia de associações como Canaoeste e ORPLANA, presentes no evento, que vêm ampliando o uso de bioprodutos em seus associados com foco na redução de custos e na melhoria de resultados no campo.
Um evento que virou referência para as próximas safras
O Fator Biológico ocorreu em um momento de clara expansão dos bioinsumos na cana, em que a produção associativa via biofábricas, como a CanaoesteBio, e o desenvolvimento de soluções privadas, como as da Companhia das Algas, se complementam para formar uma nova base tecnológica da canavicultura. As discussões mostraram que o uso crescente de micro-organismos, bioestimulantes e produtos à base de algas está deixando de ser pontual e assumindo papel central na estratégia de produção, com impacto direto em produtividade, resistência das plantas e sustentabilidade.
Ao reunir empresas, consultorias e entidades representativas em torno de nutrição, defesa e estímulo, a Canaplan criou um espaço de convergência técnica que tende a orientar decisões de investimento, pesquisa e manejo para as próximas safras de cana. Dentro desse cenário, a presença de Leonardo Galvão em destaque no painel final sinaliza que as soluções da Companhia das Algas estão inseridas no grupo de tecnologias biológicas vistas hoje como estratégicas para a competitividade da canavicultura brasileira, consolidando a ideia de que o futuro do canavial passa, cada vez mais, pelo mar.