Brasil na Vanguarda da Bioeconomia Azul: A Algicultura como Solução Estratégica na COP30

O Ministério da Pesca e Aquicultura anuncia a adesão do Brasil à Iniciativa Global para as Algas Marinhas (UNGSI), consolidando o setor como vetor de desenvolvimento territorial, segurança alimentar e mitigação das mudanças climáticas.

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Introdução: A Algicultura no Eixo da Ação Climática

O papel estratégico dos sistemas alimentares aquáticos como soluções climáticas ganhou destaque na COP30. Durante o painel “Sistemas Alimentares Aquáticos como Soluções Climáticas”, no Pavilhão Brasil, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) anunciou a integração do país à Iniciativa Global para as Algas Marinhas (UNGSI)United Nations Global Seaweed Initiative.

O Ministro André de Paula enfatizou o potencial extraordinário da algicultura para o Brasil, destacando sua capacidade de integrar biodiversidade, bioeconomia e desenvolvimento territorial. A medida sinaliza o compromisso do país em avançar com segurança regulatória, conhecimento técnico e novos investimentos no setor.


Desenvolvimento: Potencial Estratégico e Inovação

A Algicultura como Pilar da Bioeconomia Azul

O debate técnico-científico, moderado pela Secretária Nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula, posicionou a algicultura como um novo pilar da Bioeconomia Azul.

Representantes de organismos internacionais e da academia reforçaram os múltiplos benefícios do cultivo:

  • Mitigação Climática e Produtividade: O professor Nathan Barros (UFJF) destacou que a algicultura oferece alta produtividade sem competir com terra ou água doce, além de atuar ativamente no sequestro de carbono. Essa característica conecta a produção de alimentos, a restauração ambiental e a redução de emissões.
  • Inclusão e Desenvolvimento Costeiro: Chantal Line Carpentier, da UNCTAD, ressaltou o potencial para diversificar economias costeiras, criar empregos verdes e apoiar as metas globais de mitigação.
  • Fomento à Pesquisa: Everton Luis Krabbe, chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, sublinhou a importância da pesquisa para o avanço sustentável do setor.


UNGSI: A Plataforma de Cooperação

A entrada na UNGSI é um passo crucial para o avanço do P&D e da regulamentação no Brasil.

  • Definição da Iniciativa: A UNGSI é uma iniciativa da UNCTAD, com apoio de organizações como COI-UNESCO, FAO, UNIDO e Pacto Global da ONU, visando:
    • Promover práticas sustentáveis de produção e comercialização de algas.
    • Fortalecer a inclusão de pequenos produtores.
    • Ampliar a cooperação internacional em sustentabilidade, ciência, comércio e inovação na algicultura.
  • Contexto na COP30: A iniciativa está alinhada à Agenda de Ação da COP30, focada na transformação da agricultura e sistemas alimentares para maior resiliência.


A Perspectiva dos Territórios

O painel reforçou que o desenvolvimento da algicultura deve ser orientado pelo conhecimento e diálogo territorial. A cozinheira tradicional Aparecida Alves (Praia de São Gonçalo, Paraty) deu um depoimento que ilustra os benefícios práticos: o cultivo comunitário de Kappaphycus alvarezii resultou em água mais limpa e o retorno de espécies marinhas ao redor dos plantios. Este feedback destaca a algicultura como uma ferramenta para melhoria territorial, geração de renda e fortalecimento da soberania alimentar.


Conclusão: Foco em Ciência, Regulação e Investimento

A integração do Brasil na UNGSI, formalizada na COP30, marca um ponto de inflexão na política de aquicultura e bioinsumos. O país reconhece a necessidade de superar investimentos dispersos e regulações fragmentadas através de uma abordagem colaborativa entre governo, agências internacionais, ciência, setor privado e comunidades costeiras.

Com o potencial natural do país e o apoio de organismos globais, o Brasil se posiciona para se tornar um hub de inovação na algicultura. O caminho a seguir envolve a consolidação de um ambiente regulatório robusto e o investimento contínuo em pesquisa e tecnologia, como já reforçado pela Embrapa.

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