Biotecnologia Marinha: Extratos de Macroalgas Revolucionam o Combate aos Estresses Abióticos na Agricultura Brasileira

A pesquisa apresentada no Anuário Abisolo 2025 revela que compostos bioativos de macroalgas marinhas podem reduzir em até 50% os impactos dos estresses ambientais em cultivos agrícolas, aumentando a tolerância das plantas a condições extremas como seca, salinidade e variações de temperatura.

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Desafios Climáticos para a Agricultura Moderna

As mudanças climáticas não apenas alteraram o cenário de controle de pragas e doenças na agricultura, mas também impactam diretamente a produtividade agrícola. Conforme destacado no Anuário Brasileiro de Tecnologia em Nutrição Vegetal 2025, em seu artigo “Extratos de Macroalgas na Mitigação de Estresses Abióticos em Plantas”, estas transformações tornam nosso setor agrícola especialmente vulnerável a estresses ambientais como seca, temperaturas extremas, salinidade e congelamento.

Os dados apresentados são alarmantes: estimativas apontam que cerca de 50% das terras aráveis do planeta poderão enfrentar problemas de alta salinidade e seca nos próximos anos. A adaptação da agricultura a estes estresses abióticos torna-se um desafio crescente, principalmente devido à complexidade das interações genótipo-ambiente e à dificuldade de medir as respostas fisiológicas das plantas.

Neste cenário desafiador, os extratos de macroalgas marinhas emergem como uma solução natural e eficaz. O impacto dos eventos climáticos extremos na produção agrícola tem sido um foco de estudo intenso, pois as mudanças climáticas podem gerar novos desafios. Neste contexto, os bioestimulantes à base de macroalgas marinhas têm se destacado, já que suas moléculas bioativas polivalentes promovem o crescimento e aumentam a tolerância das plantas a diferentes estresses.


Modelo Teórico de Ação dos Bioestimulantes

Um modelo teórico genético proposto por Brown e Saa (2015) explica os efeitos das moléculas bioativas de extratos algais, ilustrando o impacto do estresse não letal nas plantas cultivadas e como essas moléculas podem atenuar esses efeitos. Este modelo, apresentado no Anuário Abisolo 2025, demonstra como os extratos de macroalgas ajudam no reparo celular e melhoram o desempenho das sementes em temperaturas extremas, proporcionando uma base científica sólida para sua aplicação.


Macroalgas: Tesouros Marinhos de Moléculas Bioativas

As macroalgas marinhas são classificadas em três grupos principais: Chlorophyceae (algas verdes), Phaeophyceae (algas marrons/pardas) e Rhodophyceae (algas vermelhas). Entre elas, as algas marrons/pardas são as mais utilizadas na agricultura, com destaque para espécies como Ascophyllum nodosum, Ecklonia maxima, Durvillea potatorum e Laminaria spp.

Estas algas sintetizam polissacarídeos específicos adaptados à sua estrutura celular e ao ambiente marinho onde vivem. As algas marrons possuem paredes celulares ricas em alginato e fucoidanas sulfatadas, enquanto as algas vermelhas, como Kappaphycus alvarezii, produzem carragenanos. Já as algas verdes, como Ulva spp., sintetizam ulvanas – todos compostos de grande interesse para a agricultura moderna.


Diversidade Molecular e Adaptação Ambiental

Além de sua função estrutural, as macroalgas marinhas contêm ampla diversidade de moléculas bioativas, cuja composição varia conforme a espécie e o ambiente de crescimento. Estas substâncias podem influenciar significativamente a fisiologia das plantas de diferentes maneiras e exercer uma função fundamental na adaptação das macroalgas a condições ambientais extremas, conforme destacado pelos pesquisadores de Castro et al. (2024) e Mughunath et al. (2024).


Mecanismos de Ação Contra Estresses Abióticos

Em síntese, os principais mecanismos de defesa contra estresses abióticos mediados por moléculas bioativas presentes nos extratos de macroalgas podem atuar de forma isolada ou de forma sinérgica. Entre os mecanismos mais importantes destacam-se:


Regulação do Equilíbrio Osmótico

Os osmoprotetores, como glicina betaína, prolina e glicina betaína, auxiliam as plantas na manutenção da homeostase celular em condições de seca e alta salinidade. Estas moléculas, cujas estruturas químicas são apresentadas no estudo, funcionam como agentes osmóticos essenciais que mantêm o equilíbrio hídrico nas células vegetais.


Modulação do Metabolismo Vegetal

Os extratos também fornecem nutrientes essenciais que otimizam o metabolismo vegetal, melhorando a resiliência das plantas em ambientes adversos. A presença de fitohormonios, como auxinas, citocininas e giberelinas, regulam o crescimento radicular, promovem a divisão celular e aumentam a resistência ao estresse.


Indução Gênica Específica

A indução de genes específicos nas plantas, estimulada por moléculas bioativas das algas, pode favorecer a síntese endógena desses compostos. Esta ativação genética representa um dos mecanismos mais sofisticados pelos quais os extratos de macroalgas exercem seus efeitos protetores.


Influência dos Extratos de Algas no Combate ao Estresse Abiótico

As plantas expostas a baixos níveis de oxigênio (ROS) devido ao estresse abiótico podem sofrer prejuízos significativos. No entanto, extratos de algas marinhas, como A. nodosum e Sargassum spp., aumentam a resistência vegetal, reduzindo seu potencial osmótico e prevenindo danos.

Estudos recentes, citados no Anuário Abisolo 2025, relataram que o tratamento com 0,3% do extrato de A. nodosum aumentou a atividade antioxidante em sementes de espinafre, acelerando a germinação e favorecendo plântulas sob estresse térmico. O condicionamento com o extrato também reduziu os níveis de peróxido de hidrogênio (H₂O₂) e malondialdeído (MDA), minimizando o estresse oxidativo.


Efeitos na Produtividade e Qualidade

A aplicação de extratos de macroalgas marinhas, como Ascophyllum e Ulva, aumenta a biomassa de fava (Vicia faba) em ambiente com estresse hídrico1. Estes extratos promovem o acúmulo de osmorreguladores como prolina e açúcares solúveis, melhorando a retenção de água e reduzindo a peroxidação lipídica e aumentando os compostos fenólicos, atenuando o estresse hídrico ao eliminar espécies reativas de oxigênio (ROS), estimular antioxidantes e otimizar a fotossíntese.


Casos de Sucesso em Cultivos Comerciais

A aplicação do extrato de K. alvarezii em arroz (Oryza sativa) sob estresse por salinidade e seca aumentou o comprimento das raízes, os níveis de clorofila e carotenoides e o teor de água nos tecidos1. Também reduziu significativamente o vazamento de eletrólitos, a peroxidação lipídica e a razão Na⁺/K⁺, além de elevar os níveis de cálcio, ajudando a mitigar desequilíbrios iônicos e diminuir macromoléculas e espécies reativas de oxigênio.

O extrato também regulou fitohormonios, além de aumentar a expressão de genes ligados à resposta ao estresse, como MAP quinases, fatores de transcrição WRKY e genes antioxidantes, conforme relatado por Patel et al. (2018).


Os Extratos de Algas como Biofertilizantes do Futuro

Os extratos vegetais são biofertilizantes eficazes na agricultura moderna, promovendo o crescimento, a qualidade das culturas e a tolerância aos estresses abióticos. Obtidos por extração de partes das plantas, esses biofertilizantes induzem alterações bioquímicas e genéticas, contribuindo para uma agricultura mais sustentável e resiliente.

O uso de extratos de algas tem mostrado benefícios significativos na mitigação de estresses hídrico, térmico e salino, melhorando a morfologia radicular, o acúmulo de carboidratos não estruturais, o metabolismo, o ajuste dos níveis de água e a concentração de prolina, conforme demonstrado por Mughunath et al. (2024).


Resultados Comprovados em Campo

Em experimentos de campo com cana-de-açúcar (Saccharum officinarum), a aplicação foliar de extrato de A. nodosum sob diferentes condições ambientais aumentou o rendimento de colmo e de sacarose em comparação com os tratamentos apenas com nutrientes, indicando que o extrato melhora a tolerância à seca, o rendimento e o estado nutricional da planta, segundo estudos de Castro et al. (2024).


Considerações Finais: Uma Solução Natural para os Desafios do Agronegócio

O uso de macroalgas na agricultura representa uma solução natural e eficaz para reduzir os efeitos dos estresses abióticos. Com os avanços na caracterização de compostos bioativos e na identificação de bioestimulantes, esses extratos promovem sistemas agrícolas mais resilientes, produtivos e sustentáveis.

Leia agora mesmo o anuário na íntegra

A Cia das Algas revolucionou o mercado de bioinsumos com o Netuno Bio®, produto desenvolvido a partir da extração sustentável de macroalgas arribadas – organismos depositados naturalmente nas praias do Nordeste brasileiro. Essa matéria-prima, composta por uma mistura estratégica de Chlorophyta (verdes), Phaeophyceae (marrons) e Rhodophyta (vermelhas), encapsula a biodiversidade marinha em um único extrato. Cada classe contribui com moléculas específicas: as algas marrons fornecem fucoidanas e alginatos com ação osmorreguladora, as vermelhas aportam carragenanas e florotaninos antioxidantes, enquanto as verdes oferecem ulvanas estimulantes do sistema imunológico vegetal.

A inovação reside na complementaridade bioquímica desse blend. Enquanto extratos isolados de Ascophyllum nodosum (marrom) ou Kappaphycus alvarezii (vermelha) atuam em mecanismos específicos, a combinação de espécies no Netuno Bio® ativa múltiplas vias metabólicas simultaneamente. Estudos em parceria com o Instituto de Biociências da USP comprovaram que a sinergia entre polissacarídeos sulfatados, fitohormônios e polifenóis presentes no produto aumenta em 30% a eficiência na mitigação do estresse oxidativo comparado a formulações convencionais.

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